Cambridge IGCSE Portuguese - First Language 0504 — 2007 May/June Paper 1 · Variant 1

0504/11/M/J/07

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Question paper4 pages

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Question paper, page 1

This document consists of 4 printed pages. SP (NH) T19731/4 © UCLES 2007 [Turn over UNIVERSITY OF CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS International General Certificate of Secondary Education READ THESE INSTRUCTIONS FIRST If you have been given an Answer Booklet, follow the instructions on the front cover of the Booklet. Write your Centre number, candidate number and name on all the work you hand in. Write in dark blue or black pen. Do not use staples, paper clips, highlighters, glue or correction fluid. Answer all questions. At the end of the examination, fasten all your work securely together. The number of marks is given in brackets [ ] at the end of each question or part question. * 0 4 4 9 2 1 7 1 6 7 * FIRST LANGUAGE PORTUGUESE 0504/01 Paper 1 Reading May/June 2007 2 hours Additional Materials: Answer Booklet/Paper www.XtremePapers.com

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2 0504/01/M/J/07 © UCLES 2007 Leia os dois textos abaixo com atenção e responda às questões que se seguem. Primeiro texto A HISTÓRIA DO SAMBA O samba, como conhecemos atualmente, tem origem afro-baiana, temperado com misturas cariocas1. Nasceu da influência de ritmos africanos, adaptados para a realidade dos escravos brasileiros e, ao longo do tempo, sofreu inúmeras transformações de caráter social, econômico e musical até atingir as características conhecidas hoje, a música tão alegre e uma letra que muitas vezes fala da infelicidade e injustiça da vida, mas também da esperança das classes desfavorecidas do Brasil. O gênero começou como dança de roda originada em Angola e trazida pelos escravos, principalmente para a região da Bahia. Também conhecido por umbigada2 ou batuque, consistia em um dançarino no centro de uma roda, que dançava ao som de palmas, coro e objetos de percussão e dava uma “umbigadaʼʼ em outro companheiro da roda, convidando-o a entrar no meio do círculo. Com a transferência da mão-de-obra escrava da Bahia para o Sul e, logo após, o declínio da produção de café e a abolição da escravatura, os negros deslocaram-se em direção a capital do país, Rio de Janeiro. Instalados em bairros cariocas, eles dariam início à divulgação dos ritmos africanos na Corte. Eram em casas das tias baianas que aconteciam as festas de terreiro, com umbigadas ao som de batuques e pandeiros3. Essas manifestações culturais propiciariam, conseqüentemente, a incorporação de características de outros gêneros cultivados na cidade de origem européia. O samba carioca urbano ganha a cara e os ritmos conhecidos. Em 1917 foi gravado em disco o primeiro samba. Em breve esta modalidade conquistaria o mercado fonográfico, que se encontra em plena expansão e, com a inauguração do rádio em 1922 – único veículo de comunicação em massa até então, alcançaria as classes médias cariocas. O novo estilo seria, ainda, abraçado e redimensionado por filhos de classe média, como Noel Rosa e Ari Barroso. Aqui começou o empolgamento da classe média brasileira por esta forma musical tão popular. O advento do rádio ainda transformaria nomes como Francisco Alves, Orlando Silva e Carmen Miranda em grandes ídolos do samba. Entre as décadas de 20 e 30, o gênero ganharia muitas variações tais como o samba-enredo, o samba-choro e o samba-canção. É desse período, também, o surgimento dos sambas criados para os grandes blocos de carnaval. Daqui para frente o samba tornou-se indissociável dessa grande expressão da alma carioca e brasileira. A primeira escola de samba surgiria em 1929 no Estácio – tradicional bairro de boêmios e da malandragem da cidade. Fez sua primeira aparição como um bloco de corda e inovava no ritmo: a nova batida era capaz de contagiar qualquer folião, ao contrário dos sons anteriores mais monótonos. No ano seguinte, novas escolas surgiriam para participar do desfile. Com a repercussão do gênero, mais viriam a surgir. O samba tornou-se um dos fundamentos da identidade destes bairros do Rio de Janeiro. O gênero, que conquistou o título de identidade do Brasil dentro do país e no exterior, também cativou muitos adeptos no cenário artístico. Cada um deles deu sua contribuição ao estilo, surgindo diferentes ramificações do tradicional samba. Este já foi adaptado por vários artistas de origem baiana, paulistana e gaúcha, e ganharia, em cada região e com cada intérprete, uma característica particular. A influência cultural americana, logo após a Segunda Grande Guerra, também repercutiria no gênero. Com um modo diferente de dividir o fraseado do samba e inspirados no impressionismo do jazz e do erudito, surgiria através de João Gilberto e Tom Jobim a bossa nova nos anos 50. O novo estilo ganharia repercussão internacional e de novo conquistaria a classe média carioca. Uma corrente mais popular faria ressurgir o samba tradicional do morro no final da década de 60 nas vozes de Cartola, Nelson Cavaquinho e, mais adiante, Candeia, Chico Buarque de Holanda e Paulinho da Viola. Posteriormente, o antigo samba seria revalorizado com nomes de grandes artistas do gênero como Nelson Sargento, Wilson das Neves e as Velhas Guardas da Portela e da Mangueira. Hoje, tanto no Brasil como no exterior, o samba continua conquistando o coração de amantes de boa música.

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3 0504/01/M/J/07 © UCLES 2007 [Turn over Vocabulário 1 Originário do Rio de Janeiro 2 Palavra derivada de ‘umbigo’ 3 Instrumento de percussão Question 1 (a) Quais são as influências históricas do samba? [2] (b) Como chegou o samba ao Rio de Janeiro? [2] (c) Já no século vinte, qual é o efeito dos progressos tecnológicos na difusão do samba? [4] (d) Que novidades trouxeram os anos 20 e 30 ao samba? [4] (e) Na segunda metade do século vinte a história do samba é dominada por um processo de diversificação. Trace as principais linhas de desenvolvimento. [5] (f) No artigo exprime-se a opinião que o samba é “a expressão da alma carioca e brasileira”. Ao seu ver, quais são as razões por isso ser assim. Baseie a sua resposta na informação contida no artigo. [3] [Contéudo: 20. Qualidade da lingua: 5] [Total: 20 + 5 = 25] Segundo texto FADO: CANÇÕES QUE VIAJAM PELO MAR Os portos de mar sempre foram locais de partida e chegada de pessoas e mercadorias. Mas nos barcos também vinham as culturas e nas cidades portuárias fez-se a sua miscigenação. Ao longo de séculos, os barcos foram transportando, de porto em porto, traços culturais que criaram as raízes da primeira globalização. Profundamente ligado à vida marítima e à actividade portuária aparece também o fado. No início do século dezanove, a corte portuguesa refugiou-se no Brasil como consequência das invasões francesas. Quando esta voltou para Lisboa trouxe manifestações culturais novas que integravam a Europa, a América e a África como as modinhas e o lundum, músicas derivadas da mistura de tradições musicais portuguesas com ritmos trazidos para o Brasil por escravos africanos. O fado passou a integrar influências dos ritmos brasileiros em intercomunicação com a poesia nascida nos bairros populares de Lisboa. Foi também por esta altura que a guitarra de 12 cordas, introduzida pela colónia britânica residente na cidade do Porto, passou a acompanhar o fado. A relação entre a voz e o instrumento passou a ser directa, com o estilo vocal a tornar-se muito expressivo e a equilibrar as deficiências do vocabulário popular. No século vinte, o fado fez a sua estreia na rádio, que ajudou a tornar alguns dos seus exponentes em artistas famosos. Durante a primeira metade deste século, o fado teve a sua época áurea, surgindo artistas como Amália Rodrigues, a grande diva do fado e um ídolo nacional, e Alfredo Marceneiro. Mais tarde, o fado projectou-se internacionalmente como a canção nacional. O fado ganhou espaço na literatura, no cinema e na indústria discográfica, adquirindo uma dimensão nova. Mas permaneceu como expressão musical profundamente relacionada com outras manifestações culturais de cidades portuárias, o que exprime uma relação muito antiga de trocas culturais. Este facto dá ao fado um destaque especial na era da globalização.

Question paper, page 4

4 0504/01/M/J/07 © UCLES 2007 O fado não é apenas uma canção acompanhada à guitarra. É a própria alma do povo português. Ouvindo as palavras de cada fado pode sentir-se a presença do mar, a vida dos marinheiros e pescadores, as ruelas e becos de Lisboa, as despedidas, o infortúnio e a saudade. A grande companheira do fado é a guitarra portuguesa. Juntos, fado e guitarra, contam a essência de uma história ligada ao mar. O fado, por ser de todos os portugueses, está na taberna e no salão aristocrático. Surgido no século dezanove, em breve passou a ser a canção popular de Lisboa. Desde então, manteve sempre as suas características de expressão de sentimentos associados à fatalidade do destino. A canção emblemática de Lisboa é também indissociável dos seus bairros mais típicos. Por esta razão, ouvir o fado é conhecer Lisboa. É também conhecer os portugueses, no mais profundo da sua alma de povo que enfrentou o mar desconhecido. E, por ser uma canção nacional, o fado está igualmente marcado pela atracção que a aristocracia boémia sentiu pela ruas e vielas de Lisboa, pelas tabernas e pela vida nocturna. No regresso ao salão aristocrata, trouxeram o fado para que fosse acompanhado ao piano. Embora o fado esteja intimamente ligado a Lisboa, também se pratica em outras partes de Portugal. Há o fado de Coimbra, muito diferente do de Lisboa e cujas raízes se encontram em canções da idade média, as trovas. Em Coimbra, cidade universitária, este tipo de fado é associado sobretudo com os estudantes. Hoje em dia há um ressurgimento de interesse pelo fado, tanto em Portugal como além fronteiras. Há toda uma nova geração de fadistas como Mísia, Mariza e Cristina Branco, que estão a manter viva a chama do fado, misturando-o às novas tendências musicais mas mantendo-o fiel à sua alma. Question 2 Usando informação extraída dos dois textos, escreva um resumo indicando as semelhanças e diferenças entre o samba e o fado. Escreva cerca de 250 palavras. NÃO ECREVA MAIS DE 300 PALAVRAS. [25] Copyright Acknowledgements: Text 1 © Graziela Salomão; http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT865240-1655,00.html 15 September 2005. Text 2 © http://www.attambur.com/Recolhas/fado1.htm 15 September 2005. Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. University of Cambridge International Examinations is part of the Cambridge Assessment Group. Cambridge Assessment is the brand name of University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge.