Cambridge A Level Portuguese - Literature (AS Level only) 8672 — 2013 May/June Paper 4 · Variant 1
8672/41/M/J/13 · 75 marks · ≈84 min
The question paper and its mark scheme, free to read here and free to download. This is Cambridge’s own paper, exactly as it was sat.
Question paper8 pages








Mark scheme2 pages
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Paper as text
Question paper, page 1
This document consists of 5 printed pages and 3 blank pages. DC (AC) 73510 © UCLES 2013 [Turn over UNIVERSITY OF CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS General Certificate of Education Advanced Subsidiary Level * 7 4 2 8 9 6 4 9 0 9 * PORTUGUESE LITERATURE 8672/04 Paper 4 Texts May/June 2013 2 hours 30 minutes Additional Materials: Answer Booklet/Paper Invigilators must refer to the Additional Materials List for instructions on the use of set texts in the examination. READ THESE INSTRUCTIONS FIRST If you have been given an Answer Booklet, follow the instructions on the front cover of the Booklet. Write your Centre number, candidate number and name on all the work you hand in. Write in dark blue or black pen. Do not use staples, paper clips, highlighters, glue or correction fluid. Answer any three questions, each on a different text. You must choose one from Section 1, one from Section 2 and one other. Write your answers in Portuguese. Dictionaries are not permitted. You should write between 500 and 600 words for each answer. At the end of the examination, fasten all your work securely together. All questions in this paper carry equal marks. PRIMEIRO LEIA ESTAS INSTRUÇÕES Se Ihe tiverem dado um caderno de respostas, siga as instruções dadas na primeira página. Escreva o número do seu Centro, o número de candidato e o seu nome na frente de todo o trabalho que apresentar. Escreva com uma caneta de tinta azul escura ou preta. Não utilize grampos/agrafos, clipes/prende-papéis, marcador fluorescente, cola ou líquido corretivo. Responda a três perguntas, cada uma sendo sobre um texto diferente. É necessário escolher uma pergunta da Secção 1, uma da Secção 2 e uma terceira. Escreva as suas respostas em português. Não é permitido o uso de dicionários. Deve escrever entre 500 e 600 palavras por resposta. No fim do exame, junte todo o seu trabalho duma maneira segura. Todas as perguntas neste exame têm o mesmo número de valores.
Question paper, page 2
2 8672/04/M/J/13 © UCLES 2013 Secção 1 1 LYGIA FAGUNDES TELLES, Ciranda de Pedra Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo III e responda às perguntas seguintes: Frau Herta apanhou do chão uma torrada que Otávia atirara para a gata. Inclinou-se e tocou no ombro de Virgínia: – Não fale nunca com a boca assim cheia. Sentindo o rosto em brasa, ela ficou à espera do risinho cascateante de Otávia ou do olhar severo de Bruna. Mas Otávia folheava uma revista e Bruna tirava da sacola as agulhas de tricô. Nenhuma das duas deu a menor demonstração de ter ouvido a censura. Então emocionou-se. “Ficaram com pena de mim.” – Virgínia, pare de roer as unhas, filha! – pediu a Fräulein em meio de um suspiro, enquanto levava o carrinho. – Quando você crescer será uma moça de mãos feias. Não faz mal, querida? – perguntou Otávia. Tinha os olhos voltados para a revista, como se falasse com alguém que estivesse ali. – Ficam uns dedos grossos, tortos… Bruna sentou-se na poltrona. Ajeitou no colo os novelos de lã. Examinou as agulhas. – E o que tem se ela crescer de mãos feias? Há coisas mais importantes do que as mãos, não é? Virgínia afundou na poltrona e piscou repetidas vezes para disfarçar as lágrimas. Mais do que tudo perturbara-a a defesa de Bruna. Ah Otávia, Otávia!… Lançou-lhe um olhar. Mas agora Otávia retomara aquela expressão desligada de quem não ouve nem vê. “Parece a mãe”, pensou, sentindo arrefecer o rancor. Era intocável quando ficava assim. E teve vontade de se esmurrar nas faces, que coravam por qualquer motivo, nos olhos que facilmente se enchiam de lágrimas. “Delatores” – era a palavra com a qual a professora repudiava os que denunciavam os companheiros. Delatores. – E como vai Daniel? – quis saber Otávia fechando a revista. Acariciou a gata. – Ele é bonito, não? Tem umas mãos… – Otávia! – atalhou-a Bruna. A boca, em triângulo, crispava-se feroz. – Papai não quer que se fale nesse nome, você sabe disso. Ela voltou para a irmã a face inocente. – Mas papai não está aqui agora. – Não estou brincando! Você se esquece, Otávia, que nossa mãe perdeu o céu por causa dele. Do Capítulo III (i) Explique o tipo de relação que Virgínia tem com as suas irmãs. (ii) Por que razão é que Bruna repreende Otávia? Desenvolva. Ou (b) Virgínia divide-se entre dois ambientes familiares que contrastam radicalmente. Identifique-os e caracterize-os com exemplos.
Question paper, page 3
3 8672/04/M/J/13 © UCLES 2013 [Turn over 2 CARLOS DE OLIVEIRA, Uma Abelha na Chuva Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo IV e responda às perguntas seguintes: Ela fitava-o e não resistia à tentação de um paralelo com o homem mole e silencioso que levava ao lado. A charrete rompia o barrocal, embatia no talhe das covas levantando chapadas de água enlameada. Parecia desmantelar-se. A cada solavanco, Álvaro Silvestre escorregava sobre a mulher que sentia no flanco o peso desagradável; esquivava-se à pressão, encolhida ao canto da bancada; e olhava para o homem de oiro, na boleia, sob a morrinha. Primeiro, a fonte brotou tenuemente, muito ao longe, na infância; depois, a água mansa turvou-se ao longo do caminho, do tempo, com o lixo que lhe foram atirando das margens; e agora é cachoante, escura, desesperada. A ruína entrou na casa de Alva: dinheiro, terras, móveis, levados pela voragem; lustres arrancados dos tectos (começou a seroar-se à luz de pobres lamparinas); velhas arcas de madeira olorosa e pesadas de belos linhos, reposteiros, cadeirinhas graciosas forradas a damasco, armários de talha, guarda-loiças de cristais finíssimos, camas torneadas, deu o sumiço em tudo; desapareceram os quadros das paredes, a prata dos talheres; a dona da casa arrancou as jóias do colo, os anéis dos dedos; venderam-se espingardas de caça, galgos, cavalos, traquitanas, relíquias de nebulosos tempos como aquele punhal antigo cravejado de diamantes; e quando ela fez dezoito anos, o pai fidalgo, que era Pessoa, Alva e Sancho, descendente de um coudel- mor, de um guerreiro das linhas de Elvas e primo do Bispo missionário de Cochim, negociou o casamento da filha com os Silvestres do Montouro, lavradores e comerciantes: sangue por dinheiro (a franqueza dum homem sem outra alternativa); assim seja, concordou o pai de Álvaro Silvestre, compra-se tanta coisa, compre-se também a fidalguia. A charrete bateu rudemente num barranco e parou. Do Capítulo IV (i) Qual é o papel da água nesta obra? Dê exemplos e justifique. (ii) Descreva o tipo de relação entre D. Maria dos Prazeres e Álvaro Silvestre. Ou (b) Analise o título da obra Uma Abelha na Chuva.
Question paper, page 4
4 8672/04/M/J/13 © UCLES 2013 3 MACHADO DE ASSIS, Dom Casmurro Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo 3 e responda às perguntas seguintes: – D. Glória, a senhora persiste na idéia de meter o nosso Bentinho no seminário? É mais que tempo, e já agora pode haver uma dificuldade. – Que dificuldade? – Uma grande dificuldade. Minha mãe quis saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentração, veio ver se havia alguém no corredor; não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a dificuldade estava na casa ao pé, a gente do Pádua. – A gente do Pádua? – Há algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande metido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a dificuldade, porque se eles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separá-los. – Não acho. Metidos nos cantos? – É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quase que não sai de lá. A pequena é uma desmiolada; o pai faz que não vê; tomara ele que as coisas corressem de maneira, que… Compreendo o seu gesto; a senhora não crê em tais cálculos, parece-lhe que todos têm a alma cândida… – Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a idade; Bentinho mal tem quinze anos. Capitu fez quatorze à semana passada; são dois criançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquela grande enchente, há dez anos, em que a família Pádua perdeu tanta cousa; daí vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer?… Mano Cosme, você que acha? Tio Cosme respondeu com um “Ora!” que, traduzido em vulgar, queria dizer: “São imaginações do José Dias os pequenos divertem-se, eu divirto-me; onde está o gamão?” – Sim, creio que o senhor está enganado. – Pode ser minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar… – Em todo caso, vai sendo tempo, interrompeu minha mãe; vou tratar de metê-lo no seminário quanto antes. – Bem, uma vez que não perdeu a idéia de o fazer padre, tem-se ganho o principal. Bentinho há de satisfazer os desejos de sua mãe e depois a igreja brasileira tem altos destinos. Do Capítulo 3, A Denúncia (i) Que tipo de mãe encontramos em D. Glória? Justifique. (ii) Explique a “grande dificuldade” do Sr. José Dias. Ou (b) Analise e dê exemplos das diferentes fases da vida de Bento Santiago ao longo da obra.
Question paper, page 5
5 8672/04/M/J/13 © UCLES 2013 Secção 2 4 JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, O Vendedor de Passados Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Dê exemplos de como a ficção se mistura com a realidade nesta obra. Ou (b) Será O Vendedor de Passados uma sátira política e social? Justifique. 5 LUÍS DE STTAU MONTEIRO, Felizmente há Luar! Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Contextualize e explique o significado da frase de Sousa Falcão: “Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro…” Ou (b) Descreva a importância de Beresford ao longo da peça tendo em conta o seu perfil psicológico. 6 PAULINA CHIZIANE, O Alegre Canto da Perdiz Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Comente a citação de Delfina: “Quero mostrar que uma negra pode ser gente e pode ultrapassar as barreiras entre as raças.” Ou (b) Concorda com a afirmação de que Maria das Dores é preconceituosa? Desenvolva.
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8 8672/04/M/J/13 © UCLES 2013 Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. University of Cambridge International Examinations is part of the Cambridge Assessment Group. Cambridge Assessment is the brand name of University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge. BLANK PAGE
Mark scheme, page 1
CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS GCE Advanced Subsidiary Level MARK SCHEME for the May/June 2013 series 8672 PORTUGUESE LITERATURE 8672/04 Paper 4 (Texts), maximum raw mark 75 This mark scheme is published as an aid to teachers and candidates, to indicate the requirements of the examination. It shows the basis on which Examiners were instructed to award marks. It does not indicate the details of the discussions that took place at an Examiners’ meeting before marking began, which would have considered the acceptability of alternative answers. Mark schemes should be read in conjunction with the question paper and the Principal Examiner Report for Teachers. Cambridge will not enter into discussions about these mark schemes. Cambridge is publishing the mark schemes for the May/June 2013 series for most IGCSE, GCE Advanced Level and Advanced Subsidiary Level components and some Ordinary Level components.
Mark scheme, page 2
Page 2 Mark Scheme Syllabus Paper GCE AS LEVEL – May/June 2013 8672 04 © Cambridge International Examinations 2013 Candidates are expected to write 500–600 words for each of their answers. Candidates who write more than 600 words cannot be placed higher than the 16–17 category in the mark scheme. Marks Description 22+ Exceptional work. Excellent ability to organise material, thorough knowledge, considerable sensitivity to language and to author’s intentions, understanding of some literary techniques. Really articulate and intelligent answers should be considered in this band even if there are still flaws and omissions. 20–21 Very good. Close attention to detail of passages, controlled structure, perceptive use of illustration, good insight when discussing characters. Ability to look beyond the immediate material and to show some understanding of author’s intentions and of underlying themes. 18–19 Thoroughly solid and relevant work. Candidate does not simply reproduce information: can discuss and evaluate material and come to clear conclusion. Good focus on passages. Some limitations of insight but coherent, detailed approach and aptly chosen illustrations. 16–17 Painstaking. Sound knowledge of texts; mainly relevant. Some attempt to analyse and compare, some sense of understanding. Possibly not in full control of material; solid but indiscriminate. Many very conscientious candidates fall into this category: they tend to write far too much as they are reluctant to leave out anything they have learnt. Focused, coherent essays which lack really solid detail but convey a good understanding of the text should also be considered for this band. 14–15 Fair relevance and knowledge. Better organised than work in the 12–13 band: the candidate probably understands the demands of the question without being able to develop a very thorough response. Still a fairly simple, black and white approach. Some narrative and ‘learnt’ material but better control and focus than work in the 12–13 band. Many candidates probably fall into this category. 12–13 Sound, if simple and superficial, knowledge of plot and characters. Makes assertions without being able to illustrate or develop points. Probably still too dependent on narrative and memorised oddments but there may be a visible attempt to relate these to the question. Can extract one or two relevant points from a set passage. 10–11 Some very basic material but not much sense of understanding or ability to answer question. The candidate rarely reads the set passage but uses it as a springboard for storytelling and memorised bits and pieces about characters. Very general, unspecific approach. Random, bitty structure. Signs of organisation and relevance should be looked for in case the answer can be considered for a mark in the 12–13 band. 6–9 Marginally more knowledge here than in the 0–5 band. The candidate may have read the text but is probably unable to see beyond the barest bones of the plot or half-remembered notes. Insubstantial; very little relevance. The candidate may have problems with the language and will be unable to express ideas comprehensibly. 0–5 No discernible material. Often very inadequate language. Marks in this section are awarded almost on the basis of quantity: up to 3 for a sentence or two showing a glimpse of knowledge, 4 or 5 where there is also a hint of relevance to the question. It is possible for a candidate to write a whole page demonstrating no knowledge at all (have they read the book?), or only misunderstood background facts or very vague general remarks unrelated to either text or question.
What you needed in this session
Cambridge’s own grade thresholds for 2013 May/June, Paper 4 · Variant 1. A higher threshold means an easier paper — the bar moves with how the cohort did.