Cambridge A Level Portuguese (A Level only) 9718 — 2014 May/June Paper 4 · Variant 1
9718/41/M/J/14 · 75 marks · ≈84 min
The question paper and its mark scheme, free to read here and free to download. This is Cambridge’s own paper, exactly as it was sat.
Question paper8 pages








Mark scheme2 pages
Answers below. Sit the paper first if you are practising.


Paper as text
Question paper, page 1
This document consists of 5 printed pages and 3 blank pages. DC (NH) 81938/6 © UCLES 2014 [Turn over * 6 3 4 8 7 1 8 2 7 4 * PORTUGUESE 9718/04 Paper 4 Texts May/June 2014 2 hours 30 minutes Additional Materials: Answer Booklet/Paper Invigilators must refer to the Additional Materials List for instructions on the use of set texts in the examination. READ THESE INSTRUCTIONS FIRST If you have been given an Answer Booklet, follow the instructions on the front cover of the Booklet. Write your Centre number, candidate number and name on all the work you hand in. Write in dark blue or black pen. Do not use staples, paper clips, glue or correction fluid. Answer any three questions, each on a different text. You must choose one from Section 1, one from Section 2 and one other. Write your answers in Portuguese. Dictionaries are not permitted. You should write between 500 and 600 words for each answer. At the end of the examination, fasten all your work securely together. All questions in this paper carry equal marks. PRIMEIRO LEIA ESTAS INSTRUÇÕES Se Ihe tiverem dado um caderno de respostas, siga as instruções dadas na primeira página. Escreva o número do seu Centro, o número de candidato e o seu nome na frente de todo o trabalho que apresentar. Escreva com uma caneta de tinta azul escura ou preta. Não utilize grampos/agrafos, clipes/prende-papéis, cola ou líquido corretivo. Responda a três perguntas, cada uma sendo sobre um texto diferente. É necessário escolher uma pergunta da Secção 1, uma da Secção 2 e uma terceira. Escreva as suas respostas em português. Não é permitido o uso de dicionários. Deve escrever entre 500 e 600 palavras por resposta. No fim do exame, junte todo o seu trabalho duma maneira segura. Todas as perguntas neste exame têm o mesmo número de valores. Cambridge International Examinations Cambridge International Advanced Level
Question paper, page 2
2 9718/04/M/J/14 © UCLES 2014 Secção 1 1 LYGIA FAGUNDES TELLES, Ciranda de Pedra Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo III e responda às perguntas seguintes: A porta da sala estava fechada mas podia ouvir as vozes: Conrado, Afonso, Otávia... Esfregou as mãos. Estavam frias e contudo as faces ardiam. “Passa já”, murmurou para si mesma. Contraiu os maxilares. E erguendo a cabeça, desafiante, entrou. Afonso foi o primeiro a quem ela viu, de pé ao lado do sofá. – Virgínia! – exclamou ele abrindo os braços. Exibiu os dentes agudos. – Hoje não fui trabalhar só para te receber. Estendida molemente no sofá, Otávia afagava um gato. Beijou a irmã. – Não acredite, Virgínia. Foi amável da parte dele, mas não é verdade, Afonso não trabalha nunca. Afonso então riu. E apertou-a num abraço afectadamente carinhoso. Na cara pontuda de fauno, pairava a antiga expressão maliciosa, mais amarga, talvez. – Essa gatinha perversa não sabe o que diz. – A voz ficou mais estridente: – E que bonita que você está! Meu Deus, parece até um milagre! Conrado aproximou-se. Tomou-lhe as mãos. – Querida Virgínia. Ela o encarou. A confiança perdida naqueles rápidos minutos da chegada voltava novamente, como se uma misteriosa aragem soprasse em seu rosto. Ali estava ele, grave e terno como sempre, presença poderosa dizendo-lhe com o olhar que não se exaltasse, não perdesse o prumo, “Está tudo bem, Virgínia. Está tudo bem”. – Impressionante como ela mudou, não? – observou Afonso refastelando-se no braço de uma poltrona. – E dizem que é uma jovem cultíssima, sabe não sei quantas línguas... Quantas mesmo, Virgínia? Ela enfrentou-o no mesmo tom cordialmente irónico. Observava-o também: era o mesmo Afonso de cabelos em desalinho e roupa um tanto em desordem. Mas essa displicência mascarava apenas uma preocupação, tanto no comportamento como na maneira de vestir. A roupa bem talhada era da melhor qualidade e via-se que devia ter-se preocupado com a escolha do suéter, discretamente combinando com as meias. – O elegante Afonso – exclamou ela sentando-se no sofá aos pés de Otávia. – Pois enquanto você pensava nas suas belas meias, eu estudava. Do Capítulo II, segunda parte (i) Explique o nervosismo de Virgínia ao voltar a casa. (ii) Acha que Afonso muda a sua atitude perante Virgínia ao longo da obra? Justifique. Ou (b) Analise, dando exemplos, o conflito de sensações vivido pelas personagens desta obra.
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3 9718/04/M/J/14 © UCLES 2014 [Turn over 2 CARLOS DE OLIVEIRA, Uma Abelha na Chuva Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo XX e responda às perguntas seguintes: – A verdade não precisa de grande palavreado e aí vai: a sua filha desgraçou-se. Cingiu os lábios de tal forma que os transformou numa espécie de lancetada roxa. Alisou-se- lhe a pele da testa, as veias das têmporas encordoaram. Quando conseguiu falar, a linguagem tinha perdido o tom chalaceador e saiu-lhe mais rude, sem as senhorias devidas de campónio a burguês: – Vamos conversar, Álvaro Silvestre, vamos conversar um bocado e ou isso é uma mentira refinada e a conversa há-de ter que se lhe diga ou é verdade e o cão que me mordeu a filha não morde em mais ninguém. – Hoje de madrugada, a sua filha e o meu cocheiro estavam deitados na palha do curral onde vocemecê recolhe o gado. Estendeu vagarosamente a mão enorme, fincou os dedos no pulso de Álvaro Silvestre: – Qual cocheiro? O Jacinto? – Não tenho outro cocheiro. Dobrava o corpo para a frente e falava-lhe quase sobre a cara: – Quem lhe disse a você que estavam no palheiro? – Ninguém mo disse, fui eu que dei com eles. Casar a filha com um lavrador. Desde o nascimento de Clara que embalava o sonho de sair da pobreza pela mão da rapariga: a pobreza, que é a maior cegueira. – Jure pela salvação da sua alma. – Juro pela salvação da minha alma. Toda a estrutura de emoções, juízos, sentimentos, se definia, agora em Álvaro Silvestre pelo perfil da paixão que o determinava: deitar o ruivo em maus lençóis. Pô-lo na rua para já, impedi- lo depois de arranjar trabalho noutras casas nem que tivesse de recorrer a invenções (patifarias, roubos, etc.), mas pressentia que a sua verdadeira vingança começava a concebê-la o ânimo do cego, e portanto: – Eu bem o preveni que o golpe ia doer. Do Capítulo XX (i) O que leva Álvaro Silvestre a falar com o mestre António? (ii) Qual é a importância de Clara e Jacinto nesta obra? Ou (b) Identifique e analise o significado de pelo menos três símbolos na obra.
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4 9718/04/M/J/14 © UCLES 2014 3 ONDJAKI, Bom dia Camaradas Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato da parte I e responda às perguntas seguintes: Acordei novamente bem-disposto porque ia à praia com a tia Dada, as minhas irmãs tinham aulas, e eu era o único que podia lhe acompanhar. Isso também era bom porque como íamos estar só os dois, ia dar para lhe enfiar umas baldas que não tinha ninguém ali para me desconfirmar. Bom dia, menino!, disse o camarada António quando eu já estava a acabar o matabicho. Bom dia, camarada António, tudo bem?, enquanto ele começava a arrumar melhor os copos, mudava os pratos de sítio, abria a geleira e espreitava, abria a janela da cozinha, tuso só por hábito, não é que aqueles gestos fossem para alguma coisa, não sei se já repararam que os mais velhos fazem muito isso. – Menino, hoje vai passear? – e continuava a mexer nas coisas. – Sim, vou com a tia Dada à praia, o camarada João vai nos levar. – A tia trouxe prenda, menino? – ele tava a rir, assim queria perguntar se a tia tinha trazido prendas para todos. – Tu ainda não falaste com ela, António? – A tia tava a falar ainda com o pai, ainda não falei bem... – Hum... – eu sorri. – Acho que ela trouxe-te uns sapatos bem bonitos... Saímos com o camarada João. Ele não apareceu bêbado porque tinha respeito pelas pessoas que não conhecia bem, e era chato dar logo má impressão no primeiro dia, quer dizer, acho que foi isso, porque até veio com uma balalaica toda bem engomada, tipo já queria que a tia também lhe desse uma prenda. Estávamos a descer o António Barroso. – Tás a ver ali, tia? – apontei para a rotunda que se via lá em baixo. – Sim... – Ali é a piscina do Alvalade! – o camarada João começou já a rir, ele sabia o truque. – Mas não vejo piscina nenhuma, filho... – Não vês porque estamos longe, mas quando chegarmos lá já vais sentir. O carro aproximou-se da rotunda e teve de afrouxar por causa dos buracos. Da parte I (i) Por que razão é que todos ansiavam pelas prendas da tia Dada? Justifique. (ii) Explique o sentido de humor expresso na frase: “Ali é a piscina do Alvalade!” Ou (b) Analise o comentário de António quando diz: “Menino, no tempo do branco isto não era assim...”.
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5 9718/04/M/J/14 © UCLES 2014 Secção 2 4 JOSÉ EDUARDO AGUALUSA, O Vendedor de Passados Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Caracterize a personagem de Félix Ventura ao longo do romance. Ou (b) Acha que o estrangeiro que aparece em casa de Félix é um cliente igual a tantos outros que procuram o albino? Desenvolva. 5 JOSÉ CARDOSO PIRES, O Delfim Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Explique a razão pela qual o tema da caça é significativo nesta obra. Dê exemplos. Ou (b) Qual a importância da personagem Maria das Mercês em O Delfim? 6 PAULINA CHIZIANE, O Alegre Canto da Perdiz Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Analise o título da obra O Alegre Canto da Perdiz. Ou (b) Concorda com a afirmação de que Delfina mostra não ter honra, moral nem piedade? Justifique, dando exemplos.
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8 9718/04/M/J/14 © UCLES 2014 BLANK PAGE Copyright Acknowledgements Question 1 © Lygia Fagundes Telles; Ciranda de Pedra; Editorial Presença; 1998. Question 2 © Carlos de Oliveira; Uma Abelha Na Chuva; Assirio & Alvim; 2011. Question 3 © Ondjaki; Bom dia Camaradas; Editorial Caminho; 2001. Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. Cambridge International Examinations is part of the Cambridge Assessment Group. Cambridge Assessment is the brand name of University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge.
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CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS GCE Advanced Level MARK SCHEME for the May/June 2014 series 9718 PORTUGUESE 9718/04 Paper 4 (Texts), maximum raw mark 75 This mark scheme is published as an aid to teachers and candidates, to indicate the requirements of the examination. It shows the basis on which Examiners were instructed to award marks. It does not indicate the details of the discussions that took place at an Examiners’ meeting before marking began, which would have considered the acceptability of alternative answers. Mark schemes should be read in conjunction with the question paper and the Principal Examiner Report for Teachers. Cambridge will not enter into discussions about these mark schemes. Cambridge is publishing the mark schemes for the May/June 2014 series for most IGCSE, GCE Advanced Level and Advanced Subsidiary Level components and some Ordinary Level components.
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Page 2 Mark Scheme Syllabus Paper GCE A LEVEL – May/June 2014 9718 04 © Cambridge International Examinations 2014 Candidates are expected to write 500–600 words for each of their answers. Candidates who write more than 600 words cannot be placed higher than the 16–17 category in the mark scheme. Marks Description 22+ Exceptional work. Excellent ability to organise material, thorough knowledge, considerable sensitivity to language and to author’s intentions, understanding of some literary techniques. Really articulate and intelligent answers should be considered in this band even if there are still flaws and omissions. 20–21 Very good. Close attention to detail of passages, controlled structure, perceptive use of illustration, good insight when discussing characters. Ability to look beyond the immediate material and to show some understanding of author’s intentions and of underlying themes. 18–19 Thoroughly solid and relevant work. Candidate does not simply reproduce information: can discuss and evaluate material and come to clear conclusion. Good focus on passages. Some limitations of insight but coherent, detailed approach and aptly chosen illustrations. 16–17 Painstaking. Sound knowledge of texts; mainly relevant. Some attempt to analyse and compare, some sense of understanding. Possibly not in full control of material; solid but indiscriminate. Many very conscientious candidates fall into this category: they tend to write far too much as they are reluctant to leave out anything they have learnt. Focused, coherent essays which lack really solid detail but convey a good understanding of the text should also be considered for this band. 14–15 Fair relevance and knowledge. Better organised than work in the 12–13 band: the candidate probably understands the demands of the question without being able to develop a very thorough response. Still a fairly simple, black and white approach. Some narrative and ‘learnt’ material but better control and focus than work in the 12–13 band. Many candidates probably fall into this category. 12–13 Sound, if simple and superficial, knowledge of plot and characters. Makes assertions without being able to illustrate or develop points. Probably still too dependent on narrative and memorised oddments but there may be a visible attempt to relate these to the question. Can extract one or two relevant points from a set passage. 10–11 Some very basic material but not much sense of understanding or ability to answer question. The candidate rarely reads the set passage but uses it as a springboard for storytelling and memorised bits and pieces about characters. Very general, unspecific approach. Random, bitty structure. Signs of organisation and relevance should be looked for in case the answer can be considered for a mark in the 12–13 band. 6–9 Marginally more knowledge here than in the 0–5 band. The candidate may have read the text but is probably unable to see beyond the barest bones of the plot or half-remembered notes. Insubstantial; very little relevance. The candidate may have problems with the language and will be unable to express ideas comprehensibly. 0–5 No discernible material. Often very inadequate language. Marks in this section are awarded almost on the basis of quantity: up to 3 for a sentence or two showing a glimpse of knowledge, 4 or 5 where there is also a hint of relevance to the question. It is possible for a candidate to write a whole page demonstrating no knowledge at all (have they read the book?), or only misunderstood background facts or very vague general remarks unrelated to either text or question.
What you needed in this session
Cambridge’s own grade thresholds for 2014 May/June, Paper 4 · Variant 1. A higher threshold means an easier paper — the bar moves with how the cohort did.