Cambridge A Level Portuguese (A Level only) 9718 — 2011 May/June Paper 4 · Variant 1

9718/41/M/J/11 · 75 marks · ≈84 min

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Cambridge A Level Portuguese (A Level only) 9718 2011 May/June Paper 4 · Variant 1 question paper, page 1 of 8
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Answers below. Sit the paper first if you are practising.

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Question paper, page 1

This document consists of 5 printed pages and 3 blank pages. DC (CB (SE)) 32641/5 © UCLES 2011 [Turn over UNIVERSITY OF CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS General Certificate of Education Advanced Level * 5 1 5 9 6 6 0 3 9 3 * PORTUGUESE 9718/04 Paper 4 Texts May/June 2011 2 hours 30 minutes Additional Materials: Answer Booklet/Paper Invigilators must refer to the Additional Materials List for instructions on the use of set texts in the examination. READ THESE INSTRUCTIONS FIRST If you have been given an Answer Booklet, follow the instructions on the front cover of the Booklet. Write your Centre number, candidate number and name on all the work you hand in. Write in dark blue or black pen. Do not use staples, paper clips, highlighters, glue or correction fluid. Answer any three questions, each on a different text. You must choose one from Section 1, one from Section 2 and one other. Write your answers in Portuguese. Dictionaries are not permitted. You should write between 500 and 600 words for each answer. At the end of the examination, fasten all your work securely together. All questions in this paper carry equal marks. PRIMEIRO LEIA ESTAS INSTRUÇÕES Se Ihe tiverem dado um caderno de respostas, siga as instruções dadas na primeira página. Escreva o número do seu Centro, o número de candidato e o seu nome na frente de todo o trabalho que apresentar. Escreva com uma caneta de tinta azul escura ou preta. Não utilize grampos/agrafos, clipes/prende-papéis, marcador fluorescente, cola ou líquido correctivo. Responda a três perguntas, cada uma sendo sobre um texto diferente. É necessário escolher uma pergunta da Secção 1, uma da Secção 2 e uma terceira. Escreva as suas respostas em português. Não é permitido o uso de dicionários. Deve escrever entre 500 e 600 palavras por resposta. No fim do exame, junte todo o seu trabalho duma maneira segura. Todas as perguntas neste exame têm o mesmo número de valores.

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2 9718/04/M/J/11 © UCLES 2011 Secção 1 1 ALEXANDRE HERCULANO, Eurico o Presbítero Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo XVIII e responda às perguntas seguintes: – Sempre ele! sempre esta visão de remorso! – murmurou Hermengarda. – Meu pai, meu pai! Perdoe-te o céu o orgulho com que repeliste o gardingo … Perdoe-te o céu o haveres-me obrigado a sacrificar aos pés desse orgulho o sentimento de amor que se ale vantara neste coração. Nós ambos assassinámos o desgraçado; mas a punição caiu inteira sobre mim! Embora. Eu não te amaldiçoarei, oh meu pai! A tua filha nunca te acusará ante o Supremo Juiz. Depois, ficou por alguns instantes calada, com os olhos fitos no rochedo fronteiro, em cuja face escabrosa as sombras pareciam dan çar e agitar-se à luz da tocha que ardia a curta distância, e que a aragem movia. Crera perceber perto de si um gemido abafado, cor tando fugitivo o grande silêncio noturno. – Vai-te, vai-te! – prosseguiu ela. – Que posso eu fazer-te, infeliz? … Bem longo e atroz tem sido o meu martírio, porque ainda não achei no mundo alma com quem me fosse dado repartir o cálix do infortúnio; a quem houvesse de contar os tormentos que há tanto tempo me varreram dos lábios o sorrir. Se vivesses, seria tua; tua esposa, tua escrava! … mas a bênção nupcial não pode descer entre o túmulo e a vida. Fávila! … meu pai! … diante do trono do Senhor, onde são iguais o duque e o gardingo, jura-lhe que tua filha repeliu o seu amor por obedecer-te: dize-lhe que o pranto correu destes olhos ao ouvir a nova da sua morte. Oh, dize-lhe, dize-lhe que não fui eu que o assassinei. (…) – Era Eurico! – murmurou ela. – Depois de dez anos, bem conheci a sua voz! Mais triste, só: triste como tantas vezes a tenho ouvido nos meus sonhos de remorsos! Bem conheci o seu gesto! Mais pálido e carregado, só: pálido e carregado, como tantas vezes tem surgido do sepulcro para vir mudamente acusar-me, silencioso e quedo ante mim, por longas e não dormidas noites. Era ele! … um espectro cujo coração eu sentia bater, cujos braços me aperta ram por cima do abismo revolto, através da floresta, pelos recostos das serranias. Dos seus olhos caiu sobre o meu seio uma lágrima! As lágrimas dos mortos queimam … devoram a vida; porque bem sinto a morte chamar-me … Do capítulo XVIII, Impossível (adaptado) (i) Explique a punição de Hermengarda referida no excerto. (ii) Identifique e desenvolva a impossibilidade a que este capítulo se refere. Ou (b) Podemos considerar esta obra uma lenda romântica? Justifique.

Question paper, page 3

3 9718/04/M/J/11 © UCLES 2011 [Turn over 2 CAMILO CASTELO BRANCO, A Queda dum Anjo Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo XXVI e responda às perguntas seguintes: Era já Estio. Os galãs mais ardidos de Lisboa estanceavam por Seteais, por Pisões, e por aquelas várzeas de Colares, a engarrafar lirismo para gastarem por salas nas noites de Inverno. O primeiro deles que descortinou por entre árvores a formosa brasileira foi alvissarando aos outros a ondina incógnita, que saíra das vagas a buscar camilha de folhagem e boninas entre as fragas da serra da lua. Começam os agitados monteiros da estranha caça a circunvagarem nas encostas e oiteirinhos que rodeavam a vivenda de Ifigénia. Uns a viam ao sol posto, outros ao arraiar da manhã, e outros, quando ela perpassava por entre áleas de cilindras para uma gruta fechada como concha de pérola. A presença de Calisto Elói, confundido com os arbustos floridos da casinha misteriosa, aumentou a curiosidade dos indagadores. Uns consideraram esposa do deputado a bela esquiva; outros aventaram hipóteses mais românticas, mas menos honestas. À primeira conjectura opunha-se uma forte razão negativa: se era marido, porque vivia no hotel do Vítor? À segunda conjectura, contraditava outra razão ponderável: se era amante, que descuidado amante era ele, que se encerrava no seu quarto do hotel, durante as noites, – facto averiguado minudenciosamente pelos interessados? O mistério, pelo conseguinte, a nublar-se, e as esporas da curiosidade impaciente a picar os moços ociosos, e os ricaços velhos, que espreitavam, por entre a rede das sebes verdejantes, esta Susana, mais cuidadosa do que a outra, que acendia fogos nos lúbricos juízes de Israel. Entre os mancebos, estremava-se um, que passava grandes espaços de tempo em quietismo escultural debaixo de um olmo, que sobranceava a casa de Ifigénia. Sempre que ela, à hora da maior calma, se aproximava da janela do seu gabinete a respirar o frescor do jardim, via o contemplativo sujeito de braços cruzados, e olhos fitos. Mas, assim que, ao entardecer, os arredores da casa começavam a ser frequentados, o moço, como quem se resguarda, desaparecia. Era este sujeito aquele Vasco da Cunha, que esperava a herança de uma tia para casar com Adelaide Sarmento. Os olhos indiferentes de Ifigénia assetearam-lhe a pia alma, num daqueles dias em que ele viera de Lisboa a Sintra para assistir à novena de Santo António de Pádua, celebrada solenemente na capela de uma tia marquesa. Ou porque o ascético fidalgo andasse com o coração amolecido pelas práticas piedosas, ou porque Ifigénia se lhe figurasse algum daqueles serafins que visitavam os anacoretas da Tebaida, o certo é que não houve mais despegar-se-lhe a fantasia daquela imagem, que se interpunha entre ele e o santo filho de Marfim de Bulhões. Do capítulo XXVI, E Ela Amava-o! (i) Caracterize o espaço social apresentado no excerto e relacione-o com o resto da obra. (ii) Analise o papel das mulheres desta época. Ou (b) Qual é a importância das sessões parlamentares desta obra? Justifique.

Question paper, page 4

4 9718/04/M/J/11 © UCLES 2011 3 MACHADO DE ASSIS, Dom Casmurro Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo 123 e responda às perguntas seguintes: Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas … As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã. Do capítulo 123, Olhos de Ressaca (i) Comente e explique a atitude de Capitu durante o velório. (ii) Por que razão é que as adversidades entre Bentinho e Capitu se iniciam com a morte de Escobar? Ou (b) Capitu é usada para representar duas das categorias sociais mais marginalizadas do Brasil da época. Identifique-as e desenvolva a afirmação.

Question paper, page 5

5 9718/04/M/J/11 © UCLES 2011 Secção 2 4 GERMANO ALMEIDA, O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Refira a importância do testamento na obra. Ou (b) Qual é o papel de Maria da Graça ao longo da obra? Dê exemplos e justifique. 5 LUÍS DE STTAU MONTEIRO, Felizmente há Luar! Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Explique a importância do tema da opressão juntamente com o efeito cénico da luz em Felizmente há Luar! Ou (b) Analise a crítica social e política presente na peça. 6 VERGÍLIO FERREIRA, Aparição Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Descreva o papel do narrador em Aparição. Ou (b) Identifique e explique a importância de pelo menos três dos símbolos da natureza utilizados nesta obra.

Question paper, page 6

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8 9718/04/M/J/11 © UCLES 2011 Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. University of Cambridge International Examinations is part of the Cambridge Assessment Group. Cambridge Assessment is the brand name of University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge. BLANK PAGE

Mark scheme, page 1

UNIVERSITY OF CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS GCE Advanced Level MARK SCHEME for the May/June 2011 question paper for the guidance of teachers 9718 PORTUGUESE 9718/04 Paper 4 (Texts), maximum raw mark 75 This mark scheme is published as an aid to teachers and candidates, to indicate the requirements of the examination. It shows the basis on which Examiners were instructed to award marks. It does not indicate the details of the discussions that took place at an Examiners’ meeting before marking began, which would have considered the acceptability of alternative answers. Mark schemes must be read in conjunction with the question papers and the report on the examination. • Cambridge will not enter into discussions or correspondence in connection with these mark schemes. Cambridge is publishing the mark schemes for the May/June 2011 question papers for most IGCSE, GCE Advanced Level and Advanced Subsidiary Level syllabuses and some Ordinary Level syllabuses.

Mark scheme, page 2

Page 2 Mark Scheme: Teachers’ version Syllabus Paper GCE A LEVEL – May/June 2011 9718 04 © University of Cambridge International Examinations 2011 Candidates are expected to write 500–600 words for each of their answers. Candidates who write more than 600 words cannot be placed higher than the 16–17 category in the mark scheme. Marks Description 22+ Exceptional work. Excellent ability to organise material, thorough knowledge, considerable sensitivity to language and to author’s intentions, understanding of some literary techniques. Really articulate and intelligent answers should be considered in this band even if there are still flaws and omissions. 20–21 Very good. Close attention to detail of passages, controlled structure, perceptive use of illustration, good insight when discussing characters. Ability to look beyond the immediate material and to show some understanding of author’s intentions and of underlying themes. 18–19 Thoroughly solid and relevant work. Candidate does not simply reproduce information: can discuss and evaluate material and come to clear conclusion. Good focus on passages. Some limitations of insight but coherent, detailed approach and aptly chosen illustrations. 16–17 Painstaking. Sound knowledge of texts; mainly relevant. Some attempt to analyse and compare, some sense of understanding. Possibly not in full control of material; solid but indiscriminate. Many very conscientious candidates fall into this category: they tend to write far too much as they are reluctant to leave out anything they have learnt. Focused, coherent essays which lack really solid detail but convey a good understanding of the text should also be considered for this band. 14–15 Fair relevance and knowledge. Better organised than work in the 12–13 band: the candidate probably understands the demands of the question without being able to develop a very thorough response. Still a fairly simple, black and white approach. Some narrative and ‘learnt’ material but better control and focus than work in the 12–13 band. Many candidates probably fall into this category. 12–13 Sound, if simple and superficial, knowledge of plot and characters. Makes assertions without being able to illustrate or develop points. Probably still too dependent on narrative and memorised oddments but there may be a visible attempt to relate these to the question. Can extract one or two relevant points from a set passage. 10–11 Some very basic material but not much sense of understanding or ability to answer question. The candidate rarely reads the set passage but uses it as a springboard for storytelling and memorised bits and pieces about characters. Very general, unspecific approach. Random, bitty structure. Signs of organisation and relevance should be looked for in case the answer can be considered for a mark in the 12–13 band. 6–9 Marginally more knowledge here than in the 0–5 band. The candidate may have read the text but is probably unable to see beyond the barest bones of the plot or half-remembered notes. Insubstantial; very little relevance. The candidate may have problems with the language and will be unable to express ideas comprehensibly. 0–5 No discernible material. Often very inadequate language. Marks in this section are awarded almost on the basis of quantity: up to 3 for a sentence or two showing a glimpse of knowledge, 4 or 5 where there is also a hint of relevance to the question. It is possible for a candidate to write a whole page demonstrating no knowledge at all (have they read the book?), or only misunderstood background facts or very vague general remarks unrelated to either text or question.

What you needed in this session

Cambridge’s own grade thresholds for 2011 May/June, Paper 4 · Variant 1. A higher threshold means an easier paper — the bar moves with how the cohort did.

A55/75
B48/75
E35/75