Cambridge IGCSE Portuguese - First Language 0504 — 2005 May/June Paper 2 · Variant 1

0504/21/M/J/05

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Question paper4 pages

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This document consists of 4 printed pages. SP (SJF3419) S79053/2 © UCLES 2005 [Turn over UNIVERSITY OF CAMBRIDGE INTERNATIONAL EXAMINATIONS International General Certificate of Secondary Education FIRST LANGUAGE PORTUGUESE 0504/02 Paper 2 Reading and Directed Writing May/June 2005 2 hours 15 minutes Additional materials: Answer Booklet/Paper READ THESE INSTRUCTIONS FIRST If you have been given an Answer Booklet, follow the instructions on the front cover of the Booklet. Write your Centre number, candidate number and name on all the work you hand in. Write in dark blue or black pen on both sides of the paper. Do not use staples, paper clips, highlighters, glue or correction fluid. Answer all questions. At the end of the examination, fasten all your work securely together. The number of marks is given in brackets [ ] at the end of each question or part question. www.XtremePapers.com

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2 0504/02/M/J/05 © UCLES 2005 PARTE 1 Leia os dois textos abaixo com atenção e responda às questões que se seguem. Primeiro texto A PRINCESA E O DIAMANTE O conto de fadas começa assim: «Era uma vez uma princesa que, um dia, ouviu um disco e ficou muito impressionada. Perguntou quem era aquele cantor e pediu para o conhecer...» Primeiro, Waldemar Bastos pensou que era uma brincadeira de músicos. «A princesa Carolina do Mónaco está em Lisboa e gostava muito de o conhecer. Será que se pode encontrar com ela daqui a dois dias?» Estupefacto, balbuciou meia dúzia de palavras em resposta ao telefonema. Ainda incrédulo, Waldemar conhece, num palacete em Lisboa, a princesa Carolina e o príncipe Ernesto. Ela conta-lhe que apreciara muito o disco PretaLuz. E a história não terminou aí. De tal forma que Waldemar tocou no Baile da Rosa, no Mónaco, no qual participou a fina-flor da aristocracia e da monarquia europeias. Meses mais tarde, encontrou-se com os príncipes na casa que o casal tem perto de Paris; e é aí que a amizade se sedimenta. «Dá-me um grande conforto saber que compartilham a ideia de que a minha música é especial, porque são pessoas muito cultas, profundas conhecedoras de todas as correntes musicais e artísticas. Eles viram na minha música algo que os tocou a nível pessoal. São pessoas com um sentido humano muito apurado, suponho que me estimam como um amigo pessoal.» A carreira de Waldemar está pontuada por pessoas que se apaixonaram pela sua música, influenciada pelo Fado, e PretaLuz é, de facto, uma estrela luminosa na sua carreira. Abre-lhe as portas do mercado da world music (embora ele goste de cordas, de violoncelo, de flauta, coisas que não têm muito a ver com esse rótulo de world music) e da América, onde ganha, em 1999, o prémio de Artista Emergente do Ano. Toca em salas de referência mundial e participa em festivais de projecção internacional. «Só em Portugal é que nunca dei muitos espectáculos», disse Waldemar. Na linha imaginária que liga os pontos do mundo de Waldemar – Angola, Lisboa e Nova Iorque –, há o trajecto de um sonho que ele parece acarinhar: o regresso a Angola, agora que já não há mais guerra, pôr uma pedra sobre o passado e dar o abraço da paz a toda a gente. O músico recusou-se sempre a pactuar com qualquer das forças políticas do país, o que lhe causou vários dissabores, até em termos profissionais. Mas perseverança foi sempre uma característica de Waldemar. «Nunca me deixei ir ao fundo», disse. E agora o reconhecimento do seu talento tem uma tradução material através dos direitos de autor1. Waldemar agradece a Deus o facto de o seu trabalho estar a ser reconhecido. «Acredito que sou um privilegiado porque tenho um dom. Assumi não entregar esse dom a ninguém, e é por isso que tenho gerido a minha carreira sem patrocínios ou apoios políticos. Foi a maneira que encontrei de preservar essa dádiva. Paguei caro esse trajecto, mas, hoje, vejo que estava certo. Valeu a pena não ter feito coisas fúteis. Porque um dom é o maior diamante do mundo.» E, como todas as princesas, Carolina do Mónaco sabe apreciar diamantes. Vocabulário 1 direitos de autor = direitos autorais

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3 © UCLES 2005 0504/02/M/J/05 [Turn over Segundo texto NÃO QUEREMOS SER ELITE Carlinhos Brown está em uma posição privilegiada no cenário musical brasileiro. Apesar de não ser adorado pelo público como um ídolo pop, é um produtor muito requisitado, tanto por artistas brasileiros como estrangeiros. Percussionista, compositor, produtor e agitador cultural baiano, foi criado na periferia de Salvador. Dominando vários instrumentos de percussão, Brown integrou a banda de Caetano Veloso no disco “Estrangeiro”, onde sua composição “Meia-lua Inteira” fez muito sucesso. Participou também de turnês mundiais com outros artistas brasileiros e se projetou nacional e internacionalmente como líder do grupo Timbalada, que reunia mais de 100 percussionistas e cantores, os “timbaleiros”, a maioria jovens pobres do bairro onde nasceu. Mas Carlinhos reclama que o País não quer ser grande e que o Brasil não lhe rende o suficiente: “Só fico aqui pois tenho um trabalho social. Posso a qualquer momento entrar para o hall dos artistas que trabalham somente para o exterior”, explica. Em sua contabilidade estão mais de 25 discos entre produção e participações. Para Brown é preciso pensar grande, não ter medo de vencer. “A sociedade precisa se encontrar, ser menos individualista”, aponta, citando um lema que já se sabe há muito, mas que a humanidade teima em não seguir. Segundo Carlinhos, a música brasileira pertence ao globo musical: “O mundo inteiro já nos conclama como uma coisa contemporânea. A nova música popular não passou por berços acadêmicos, não queremos ser elite. Não fazemos mais som como era antes. Não fazemos música por acaso. Mas existem interesses comerciais, de milhões. Minha realidade, como a de outros músicos, é outra: quero comunicar, falar com as pessoas com menos acesso. O Brasil não rende para mim. Não deixam o público brasileiro nos acompanhar. O dia em que o governo resolver dar uma concessão de rádio para nós, aí sim, acabamos com essa letargia da música popular brasileira. Nós queremos que essa geração rompa com tudo que era música popular brasileira”. Falando de sua projeção no mundo, Carlinhos diz: “Li em uma revista que sou o percussionista mais experimentado do mundo. A minha batucada gerou uma onda chamada trance. Já ganhei menções dos Chemical Brothers, e tive uma certa influência na chamada jungle music. Mas isso não quer dizer que sou o melhor: estava na hora certa, no lugar certo”. Sobre o papel do músico no atual cenário musical, Carlinhos explica: “Nós, os artistas, principalmente na Bahia, queremos é modificar com carinho a estrutura da música de hoje. Queremos ser pagos pelos nossos direitos autorais, além de tocar pelos lugares e receber por isso – e tem lugar que não te pagam! Eu garanto que todos os artistas não se incomodariam em dar todo esse dinheiro desviado de direitos autorais para instituições de caridade. E o Brasil vive um problema muito sério em vários setores, com a Aids1, os idosos, tem muita gente por aí”. Vocabulário 1 Aids = sida

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4 0504/02/M/J/05 © UCLES 2005 Responda às duas questões: 1 Usando informação extraída dos dois textos, escreva um artigo comparando e contrastando os músicos Waldemar e Carlinhos. No seu artigo, mencione os êxitos e as dificuldades que tiveram nas suas carreiras. Escreva cerca de 200 palavras. NÃO ESCREVA MAIS DE 250 PALAVRAS. [20] 2 Imagine que passados dois anos você se encontrou com um dos músicos. Escreva a continuação da carreira ou de Waldemar ou de Carlinhos num artigo para um jornal, em que você descreve o rumo que a vida dele tomou. Escreva cerca de 200 palavras. NÃO ESCREVA MAIS DE 250 PALAVRAS. [20] PARTE 2 3 Você tem um emprego numa agência de viagens. Para o seu primeiro trabalho, dão-lhe a seguinte ficha. A partir desta informação, escreva uma carta, dirigida a um cliente que está interessado em organizar uma viagem para quatro pessoas, explicando estes detalhes e oferecendo-lhe as várias alternativas mencionadas. Escreva cerca de 200 palavras. NÃO ESCREVA MAIS DE 250 PALAVRAS. [20] DESTINO: Maputo (Moçambique) ALOJAMENTO: (dentro ou fora da cidade; os preços são em euros, por pessoa e variam, conforme a escolha que se fizer) • Chalets duplos ou familiares, hotéis de duas, três e quatro estrelas. • Só alojamento, meia pensão ou pensão completa. • Ocupação individual. VOO DE IDA E VOLTA: Incluído no preço. (Taxas de aeroporto e de segurança não incluídas) TRANSFERS DOS E PARA OS AEROPORTOS: Gratuitos. LUGARES DE INTERESSE E ACTIVIDADES: Museus, Jardim Botânico, Catedral. Ilha de Bazaruto, praias, lagoa dos crocodilos. Safari nocturno. SUPLEMENTOS: Para visitas e actividades com guia e voo de ida e volta de helicóptero para a Ilha de Bazaruto. Copyright Acknowledgements: Primeiro texto Cláudia Lobo; A princesa e o diamante; Visão, 2003. Copyright © Edimpresa Segundo texto Ricardo Ivanov; Entrevista Carlinhos Brown; www.terra.com.br, 2001. © Copyright Terra Networks, S.A. Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. University of Cambridge International Examinations is part of the University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge.