Cambridge A Level Portuguese - Literature (AS Level only) 8672 — 2016 May/June Paper 4 · Variant 0

8672/40/M/J/16

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Question paper8 pages

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Question paper, page 1

This document consists of 5 printed pages, 3 blank pages and 1 insert. DC (ST) 124123 © UCLES 2016 [Turn over * 7 0 0 3 5 3 2 8 7 0 * Cambridge International Examinations Cambridge International Advanced Subsidiary Level PORTUGUESE LITERATURE 8672/04 Paper 4 Texts May/June 2016 2 hours 30 minutes No Additional Materials are required. Invigilators must refer to the Additional Materials List for instructions on the use of set texts in the examination. READ THESE INSTRUCTIONS FIRST An answer booklet is provided inside this question paper. You should follow the instructions on the front cover of the answer booklet. If you need additional answer paper ask the invigilator for a continuation booklet. Answer three questions, each on a different text. You must choose one question from Section 1, one from Section 2 and one other. Write your answers in Portuguese. Dictionaries are not permitted. You should write between 500 and 600 words for each answer. All questions in this paper carry equal marks. PRIMEIRO LEIA ESTAS INSTRUÇÕES Dentro deste caderno de perguntas há um caderno de respostas. Siga as instruções dadas na capa do caderno de respostas. As instruções também são dadas abaixo em português. Se precisar de mais papel para suas respostas, peça um caderno adicional de respostas ao supervisor do exame. Responda a três perguntas, cada uma sendo sobre um texto diferente. É necessário escolher uma pergunta da Secção 1, uma da Secção 2 e uma terceira. Escreva as suas respostas em português. Não é permitido o uso de dicionários. Deve escrever entre 500 e 600 palavras por resposta. Todas as perguntas neste exame têm o mesmo número de pontos. INSTRUÇÕES DO CADERNO DE RESPOSTAS Preencha os campos na capa do caderno de respostas usando letras maiúsculas. Escreva com uma caneta de tinta azul escura ou preta. NÃO ESCREVA EM NENHUM CÓDIGO DE BARRAS. Escreva as suas respostas no caderno de respostas. Use os dois lados da folha. Por favor, deixe duas linhas em branco entre as respostas para cada pergunta. Escreva o número da pergunta à qual está respondendo na primeira margem. Question Part 1 1 ai aii Se a pergunta à qual estiver respondendo for dividida em partes, por exemplo 1a, escreva a que parte se refere a sua resposta na segunda margem. Caso tenha usado um caderno adicional de respostas, por favor, coloque-o dentro do caderno de respostas.

Question paper, page 2

2 8672/04/M/J/16 © UCLES 2016 Secção 1 1 JOSÉ SARAMAGO, Memorial do Convento Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo IV e responda às perguntas seguintes: D. Maria Ana deitou-se muito cedo, rezou antes de ir para a cama, em murmurado coro com as damas que a servem, e depois, coberta já pelo seu cobertor de penas, torna a rezar, reza infinitamente, começam as damas a cabecear, mas resistem como sábias, se não como virgens, e enfim se retiram, fica apenas a luz do lampadeiro vigiando, e a dama que ali passará a noite, num leito baixo, não tarda que adormeça, sonhe se quiser, que importância hão-de ter os sonhos que por trás das suas pálpebras se estão sonhando, a nós o que nos interessa é o trémulo pensamento que ainda se agita em D. Maria Ana, à beira do sono, que na Quinta-Feira Santa há-de ir à igreja da Madre de Deus, onde está um Santo Sudário que as freiras desdobrarão diante dela antes de o exporem aos fiéis, e nele serão claramente vistas as marcas do corpo de Cristo, este é o único e verdadeiro Santo Sudário que existe na cristandade, minhas senhoras e meus senhores, como todos os outros são igualmente verdadeiros e únicos, ou não seriam à mesma hora mostrados em tão diferentes lugares do mundo, mas, porque está em Portugal, é o mais vero de todos e único mesmo. Quando, ainda consciente, D. Maria Ana se vê a si própria inclinando-se para o pano santíssimo, não se chega a saber se o ia beijar devotamente, porque de repente adormece e acha-se dentro do coche, recolhendo-se ao paço noite já escura, com a sua guarda de archeiros, e subitamente um homem a cavalo, que vem da caça, com quatro criados em mulas e animais de pêlo e pena pendurados dos arções, dentro de redes, rompe o homem em direcção ao coche, de espingarda na mão, o cavalo raspando lume nas pedras e deitando fumo pelas ventas, e quando como um raio rompe a guarda da rainha e chega à estribeira dificilmente sofreando a montada, dá-lhe na cara a luz das tochas, é o infante D. Francisco, de que lugares do sono veio ele e porque virá tantas vezes. Espantou-se-lhe o cavalo, não podia ter sido outra coisa, com o tropear do coche e dos archeiros sobre as pedras da calçada, mas, comparando sonho e sonho, observa a rainha que de cada vez chega o infante mais perto, que quererá ele, e ela que quererá? Do Capítulo III (i) Que tipo de pessoa é D. Maria Ana Josefa? Justifique. (ii) Analise a importância dos sonhos da rainha. Ou (b) Dê exemplos de como a igreja é insistentemente criticada ao longo da obra.

Question paper, page 3

3 8672/04/M/J/16 © UCLES 2016 [Turn over 2 CARLOS DE OLIVEIRA, Uma Abelha na Chuva Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato do Capítulo II e responda às perguntas seguintes: O visitante sentou-se e, abrindo a carteira, tirou uma folha de papel cuidadosamente dobrada: —Para sair no próximo número do jornal, se puder ser. Pago o que for preciso. O Medeiros desdobrou o papel, desfez-lhe os vincos um a um com a unha enorme do polegar, a unha da viola, e pôs-se a ler. Daí a nada, erguia os olhos assombrado: —E quer o senhor que eu lhe estampe uma coisa destas na Comarca? O outro baixou o rosto inexpressivo: —Exactamente. Afastou a papelada da secretária para os lados como se lhe faltasse o ar, afeiçoou melhor os óculos ao nariz afilado, e na esperança de ter confundido as coisas começou a ler o documento outra vez. Mas não. Ali estava de facto exarada a tinta verde, numa caligrafia de mão pouco segura, a confissão pasmosa: Eu, Álvaro Rodrigues Silvestre, comerciante e lavrador no Montouro, freguesia de S. Caetano, concelho de Corgos, juro por minha honra que tenho passado a vida a roubar os homens na terra e a Deus no céu, porque até quando fui mordomo da Senhora do Montouro sobrou um milho das esmolas dos festeiros que despejei nas minhas tulhas. Para alguma salvaguarda juro também que foi a instigações de D. Maria dos Prazeres Pessoa de Alva Sancho Silvestre, minha mulher, que andei de roubo em roubo, ao balcão, nas feiras, na soldada dos trabalhadores e na legítima de meu irmão Leopoldino, de quem sou procurador, vendendo-lhe os pinhais sem conhecimento do próprio, e agora aí vem ele de África para minha vergonha, que lhe não posso dar contas fiéis. A remissão começa por esta confissão ao mundo. Pelo Padre, pelo Filho, pelo Espírito Santo, seja eu perdoado e por quem mais mo puder fazer. (...) —E a sua mulher, que pensa ela disto? Soergueu-se no cadeirão. A face imóvel, animou-lha um jogo complicado de tiques, rugas, olhadelas furtivas. Parecia assustado. No entanto, o Medeiros viu-o recostar-se outra vez com o ar aliviado de quem conseguiu afastar a sombra de uma ideia desagradável: —Deus me livre que ela soubesse disto. Do Capítulo II (i) Qual o motivo de Álvaro Silvestre em querer publicar a sua “confissão pasmosa”? (ii) Explique e desenvolva o significado da resposta de Álvaro Silvestre a Medeiros com a frase: “Deus me livre que ela soubesse disto.” Ou (b) Como é que o tema da vingança se mostra presente no romance? Dê exemplos e justifique a sua escolha.

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4 8672/04/M/J/16 © UCLES 2016 3 ONDJAKI, Bom dia Camaradas Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Leia o extrato da Parte I e responda às perguntas seguintes: —Ó João, tu gostavas quando os portugueses estavam cá? —É o quê, menino? —Sim, antes da independência, eles é que mandavam cá. Tu gostavas desse tempo? —As pessoas dizem que o país estava diferente… não sei… —Claro que estava diferente, João, mas hoje também está diferente. O camarada presidente é angolano, os angolanos é que tomam conta do país, não são os portugueses… —É isso, menino… — o João gostava de rir também, depois assobiava. —Tu trabalhavas com portugueses, João? —Sim, mas eu era muito novo… E estive no maquí também… —O camarada António é que gosta de falar muito bem dos portugueses… — provoquei. —Camarada António é mais velho — disse o João, e eu não percebi muito bem aquilo. Ao passarmos por uns prédios muito feios, eu fiz adeus a uma camarada professora. O João perguntou logo quem era, e eu respondi: é a professora María, ali é o bairro dos professores cubanos. Ele me deixou na escola. Os meus colegas estavam todos a rir porque eu tinha chegado de boleia. Nós costumamos gozar sempre quem chega de boleia, por isso eu sabia já que eles iam me estigar. Mas até não estavam a rir só disso. —É o quê? — perguntei. O Murtala estava a contar uma cena que tinha-se passado na tarde anterior, com a professora María. — A professora María, mulher do camarada professor Ángel? —Sim, essa mesmo... — o Helder disse a rir. Da Parte I (i) A que se deve toda a curiosidade do narrador sobre os portugueses? (ii) Que influência é que os professores cubanos tinham? Ou (b) Analise, dando exemplos, o papel de António na obra.

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5 8672/04/M/J/16 © UCLES 2016 Secção 2 4 RACHEL DE QUEIROZ, As Três Marias Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Guta viveu um dos melhores momentos da sua vida no Rio de Janeiro. Concorda com a afirmação? Justifique. Ou (b) Analise a importância da família de Maria Augusta nesta obra. 5 JOSÉ CARDOSO PIRES, O Delfim Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) Que tipo de pessoa é o Delfim? Descreva a personagem ao longo da obra. Ou (b) Analise o papel do narrador em O Delfim. 6 PAULINA CHIZIANE, O Alegre Canto da Perdiz Responda à pergunta (a) ou à pergunta (b): (a) De que forma é que as mulheres como Delfina e Maria das Dores são vistas em O Alegre Canto da Perdiz? Justifique. Ou (b) Que papel é que a mulher do régulo desempenha no romance? Dê exemplos.

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8 8672/04/M/J/16 © UCLES 2016 Permission to reproduce items where third-party owned material protected by copyright is included has been sought and cleared where possible. Every reasonable effort has been made by the publisher (UCLES) to trace copyright holders, but if any items requiring clearance have unwittingly been included, the publisher will be pleased to make amends at the earliest possible opportunity. To avoid the issue of disclosure of answer-related information to candidates, all copyright acknowledgements are reproduced online in the Cambridge International Examinations Copyright Acknowledgements Booklet. This is produced for each series of examinations and is freely available to download at www.cie.org.uk after the live examination series. Cambridge International Examinations is part of the Cambridge Assessment Group. Cambridge Assessment is the brand name of University of Cambridge Local Examinations Syndicate (UCLES), which is itself a department of the University of Cambridge. BLANK PAGE

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